Nasci em uma cidade pequena e pouco conhecida do estado e vim para Campinas com um ano de idade, juntamente com meus pais e seus sonhos de uma vida melhor, que foram (e são) profundamente marcantes em toda a minha educação. Apesar das condições iniciais serem reduzidas, sei que fizeram o melhor por mim e tive tudo o que precisei para ser feliz. Desde que me entendo por gente, sempre tive contato com a leitura e a escrita e, para adentrar nesse mundo fascinante, aos 5 anos passei a implorar que me alfabetizassem, mesmo sem conhecer esse termo: persegui tanto uma tia que ela passou a me ensinar com uma cartilha que eu adorava, o que é curioso tendo em vista as ressalvas que passei a ter posteriormente quanto a esse método. Aos 6 anos fui para a pré-escola sabendo ler e escrever fluentemente, o que logo foi percebido por todos, fazendo que eu ganhasse o estigma de “garota precoce”, “metida”, “queridinha da professora”, que esteve comigo até o fim do Ensino Fundamental e fez a minha vida escolar mais triste. Tentava compensar a solidão trazida pela escassez de amigos com mergulhos cada vez mais profundos em histórias – os livros eram meus melhores amigos e companheiros, e aos 10 anos já ganhara o apelido de “ratinha de biblioteca”, que aceitei com certo orgulho. A partir do Ensino Médio resolvi começar de novo em uma nova escola, onde passei a ser mais aceita, me abri mais para as pessoas e fiz verdadeiros amigos que mantenho até hoje. Foi lá que comecei a pensar em futuras profissões e tive um rápido namorico com a área de administração, fazendo um curso técnico de administração de empresas, só para depois descobrir que não era aquilo que eu queria, de maneira alguma, para a minha vida. Não havia como negar, eu tinha que me envolver com algo relacionado com livros, escrita, quem sabe educação, crianças... E assim passei a pensar em cursos como história, letras, lingüística, pedagogia.. Pedagogia? Fui desencorajada por algumas pessoas quando passei a falar sobre a minha opção em cursar tal curso, o que estranhamente fortaleceu minha decisão e fez com que eu passasse a falar, quando perguntado, que o porquê de minha escolha era desconhecido até por mim, que fora fruto de uma abdução, e que eu simplesmente tinha que fazer isso. Prestei vestibular em apenas uma universidade, só pra ver como era, e fiquei bastante surpresa ao passar, principalmente por considerar meu aprendizado em exatas insuficiente. E foi com grande alegria que ao conversar com uma veterana, fui informada de que teria que ler muito no curso. E realmente já tive, o que por si só já se constituiu em minha grande motivação no curso – ler, escrever, aprender coisas novas... Mas era suficiente? Bom, descobri que não era quando pisei meus pés pela primeira vez em uma sala de aula do 1º ano, no ano de 2007, como estagiária. Foi ali que me encontrei com aquilo que procurava e não sabia o que era, com o que se constituiria no grande desafio de minha vida até o presente momento: a sala de aula e a escola. Foi nesse momento que entendi que essa poderia ser a maneira de não ser só mais uma, de ser sempre lembrada, de fazer algo de verdade, quem sabe de mudar o mundo? Pode parecer ideológico ou sonhador demais da minha parte, mas sem sonhos eu acredito que não há vida que valha a pena ser vivida. E assim fui me construindo enquanto pessoa, enquanto futura educadora, tomando ciência cada vez mais de onde estava me metendo e gostando, apesar de tudo. Hoje sinto na pele o que Paulo Freire disse: “ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro da tarde. Ninguém nasce educador ou é marcado para ser educador. A gente se forma como educador permanente, na prática e na reflexão sobre a prática”. Vou fazendo meus próprios caminhos, caminhos esses que me levaram a me envolver com a formação de professores, com a escrita como forma de reflexão, com a importância da leitura e dos trabalhos que podem ser desenvolvidos nessa área... Me levaram também a fazer esse blog com a Paty, motivada principalmente pela velha vontade de escrever, de compartilhar idéias, de ler e de ser lida.
Escrever é uma salvação. Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.
- Clarice Lispector
Modestamente (bem modestamente), escrevendo como Saramago... hahaha. Mas a vida não é contínua? Não consigo dividir a minha em parágrafos!
ResponderExcluirAlém de escrever de uma forma tão bonita, você ainda teve a capacidade de se auto-criticar de forma tão poética!! Preciso falar q sou sua fã nº1?
ResponderExcluirTá lindo o blog de vcs! Dá vontade de ler mais =)
Bjokinhaa
Bom, sou um intruso, não fui convidado a postar um comentário aqui, mas, a experiência de ver e conhecer o espaço virtual como um espaço de diálogo, de encontro, uma praça pública, onde é possível ver/ler interações discursivas, textuais, imagéticas, efim, virtuais ,é saber que talvez seja possível criar um espaço sem barreira de convivências.
ResponderExcluirBom texto.
Sou do interior de São Paulo como você, só que estou em Sampa onde "ninguém vê quem sobe ou desce a rampa".
Feijó